Vitória da fraude e da intimidação

O governo brasileiro acertou ao não reconhecer o resultado das eleições realizadas na Venezuela, na qual o ditador Nicolás Maduro recebeu nas urnas um novo mandato de seis anos. O Itamaraty corroborou a posição do chamado “Grupo de Lima”, que reúne, além do Brasil, a Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia. Além desses países, também os Estados Unidos não só desconheceram a legitimidade do pleito venezuelano, como ampliaram as sanções ao regime bolivariano.

De acordo com o Itamaraty, a votação não ocorreu “em conformidade com os padrões internacionais de um processo democrático, livre, justo e transparente”. Na verdade, a eleição foi uma farsa, rejeitada por mais da metade dos venezuelanos. A participação da população neste pleito foi uma das mais baixas da história daquele país: apenas 46% do eleitorado compareceu às urnas, e Maduro recebeu dois terços dos votos.

No Brasil, o PCdoB afirmou que a reeleição de Nicolás Maduro foi uma “vitória retumbante do povo venezuelano”. A esquerda, para variar, considera que “povo”, ou “democracia”, são conceitos que só podem ser aplicados para quem está ao lado deles. Mas o PCdoB está errado. O verdadeiro povo venezuelano está acuado, com fome, sem emprego, sem dinheiro. E quem pode, foge para o Brasil, para a Colômbia, Equador, até mesmo para a Bolívia. Se houve uma vitória, foi da fraude, da enganação, da perseguição, da truculência. A Venezuela vai de mal a pior, para tristeza de milhões de pessoas que nada podem fazer diante de um regime que corrompeu os políticos, o judiciário e as forças armadas.

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