Um novo tempo

Hoje, 11 de novembro, começam a valer as novas regras da democratização da legislação trabalhista, uma espécie de “alforria” em relação à camisa de força representada pelas regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que data de 1943. Na época – quando a indústria química, elétrica, de petróleo e aço ditava os investimentos e o crescimento econômico mundial -, é inquestionável que a CLT representou um avanço em termos de garantias sociais para os trabalhadores brasileiros.

Quase 75 anos depois de a CLT ser sancionada pelo presidente Getúlio Vargas, porém, o mundo é outro – da era industrial, passamos à revolução tecnológica da informação e comunicação, paradigma que imprimiu novos modelos de produção enraizados no conhecimento e no processamento de informações. O novo cenário econômico-financeiro mudou, por consequência, a política. Afinal, o Muro de Berlim ruiu em 1989; juntos trouxeram mudanças profundas nas relações entre o homem e o trabalho, como já ocorrera na 1ª Revolução Industrial na Europa (entre os séculos XV e XVIII).

Fala-se que a modernização das leis trabalhistas trouxe perdas de direitos, como se a CLT tivesse sido rasgada; longe disso, mantivemos os principais direitos conquistados há 75 anos, acrescidos do impacto das especificidades tecnológicas na vida laboral, transformação que caminha inexoravelmente sem que tenhamos controle sobre ela.

A modernização trabalhista custou a chegar no Brasil e, se dependesse de ideologias que pararam no tempo, jamais teria chegado; continuaríamos crendo na ilusão de que vivemos em uma bolha.

Que a partir de hoje o país comece a reencontrar o caminho do crescimento econômico, do emprego, condição essencial para que homens e mulheres vivam dignamente. Muitos passos ainda precisam ser dados nessa direção, mas foi dada a largada.

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