Pacificação necessária

Os caminhoneiros têm toda razão em protestar contra o extorsivo preço do diesel, e pelos aumentos sucessivos que tornam quase impraticável o transporte de cargas no Brasil. A greve feita pelos caminhoneiros gerou reuniões e tentativas de buscar saídas para o problema enfrentado pelos homens da estrada. Entretanto, é preciso bom senso e razoabilidade diante dos problemas que a greve dos caminhoneiros está causando ao Brasil. Diversos segmentos da economia já contabilizam perdas superiores a R$ 34 bilhões nos oito dias desde que foi iniciada a greve dos caminhoneiros completados. Só a cadeia produtiva da pecuária de corte deixou de movimentar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, como informou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de carnes (Abiec).

No segmento de frangos e suínos o prejuízo acumulado é de R$ 3 bilhões e 64 milhões de aves já morreram, diz a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Há riscos de morte de 1 bilhão de aves e de 20 milhões de suínos. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) estima em até R$ 1,7 bilhão a perda de faturamento líquido do setor, que tem 90% das empresas com dificuldades operacionais. No comércio varejista, a Fecomércio estima que, mantida a paralisação, as perdas diárias em vendas em todo o País podem chegar a R$ 5,4 bilhões. Os distribuidores de combustíveis deixaram de faturar perto de R$ 8 bilhões desde o início da greve, calcula a Plural, associação das empresas do setor.

No setor da construção civil há várias obras paralisadas. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indica que o setor deixou de gerar R$ 2,9 bilhões. A indústria farmacêutica acumula em oito dias prejuízos de R$ 1,6 bilhão, de acordo com o Sindusfarma. As perdas da cadeia do leite chegam a R$1 bilhão, segundo a Associação Brasileira de Laticínios. A cifra inclui 300 milhões de litros de leite descartados. Paralelamente às perdas da indústria e do comércio, o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) indica que R$ 3,86 bilhões deixaram de ser arrecadados em tributos.

Enfim, a própria sociedade contabiliza suas perdas, como as horas gastas em filas de postos para conseguir abastecer seus veículos. Os prejuízos são grandes e os caminhoneiros precisam também pensar no Brasil. Eles merecem toda a atenção do governo federal e do Congresso Nacional, mas não podem sacrificar toda a nação para que sua situação seja resolvida. Que haja mais compromisso com a sociedade e disposição de todos para uma solução negociada.
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