O custo da “viagem”

Ao tomar posse hoje (27/02) no Palácio do Planalto como novo ministro da Segurança, Raul Jungmann pôs o dedo na ferida: “Me impressiona no Rio de Janeiro, onde vejo as pessoas durante o dia clamarem pela segurança, contra o crime. E estão corretas. E à noite financiarem esse crime pelo consumo de drogas”, afirmou o ex-ministro da Defesa.

De fato, drogas não seriam vendidas se não houvesse consumidores dispostos a consumi-las (lei da oferta e procura), às vezes pagando um alto preço, especialmente nesses dias em que o Exército e as polícias fecham o cerco aos traficantes que agem impunemente na cidade disseminando o vício e a violência.

Pesquisas já apontaram que jovens da classe A e média são os maiores consumidores de drogas no país. No geral são jovens, brancos e solteiros de alta e média renda que vivem nas grandes capitais brasileiras, principalmente na região Sudeste. Os dados não são recentes, mas creio que o perfil continua o mesmo.

Faz tempo que os brasileiros evitam um debate mais profundo sobre o comércio e o consumo de drogas, uma praga que compromete irremediavelmente vidas e o futuro de milhares de famílias aqui e no mundo. Com a intervenção do governo federal no Rio de Janeiro por tropas do Exército, quiçá futuramente em outros estados, se preciso for, esse debate forçosamente será retomado.

A incoerência de parte da população do Rio de Janeiro apontada pelo ministro Jungmann faz parte dessa discussão. Enquanto usuários (principalmente da zona sul carioca) não assumirem que fazem parte do problema, e que ele não se restringe nem à pobreza nem à marginalidade, nem às policias e ao Estado, mas à sociedade da qual fazem parte, inocentes continuarão pagando com suas vidas o custo de suas “viagens”.

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