Nem tudo é negociável

Depois de idas e vindas, o governo Temer anunciou que vai mesmo negociar com o Congresso a votação da emenda constitucional da Reforma da Previdência, ainda que mitigada. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles já avisou, porém, que o governo não vai abrir mão de dois pontos na PEC: a fixação de uma idade mínima com regra de transição e a equiparação entre trabalhadores do setor público e privado.

Tirando os servidores que vão perder benesses, é consenso que a reforma será fundamental para o acerto das contas públicas e retomada do crescimento econômico. A aprovação parcial da PEC pelo Congresso não agrada a muitos, mas serve de consolo para outros tantos. Não será o ideal do ponto de vista do governo e do mercado, mas ajudará a conter a sangria. O Brasil precisa enfrentar esse desafio.

No meu entendimento, o governo Temer acerta ao condicionar a idade mínima (65), uma vez que aumentou a expectativa média de vida dos brasileiros nas últimas décadas, dado que pode inviabilizar o sistema para aqueles que vão se aposentar futuramente, e a proporcionalidade de ganhos entre os trabalhadores públicos e privados como pontos inegociáveis. Do jeito que é hoje, os benefícios se dividem entre ricos (funcionários públicos) e pobres (trabalhadores da iniciativa privada). Todos são iguais perante a Previdência Social (ou deveriam ser).

Àqueles que querem ganhar mais (e quem não quer?), que adicionem ao benefício previdenciário a previdência privada.

A aprovação da reforma previdenciária será uma guerra, principalmente porque 2018 é ano eleitoral; se aprovadas a idade mínima e a equiparação entre trabalhadores privados e públicos, entretanto, terá sido uma vitória.

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