Mais um tiro

Não faz muito tempo, comentei aqui sobre o caos político-econômico em que está mergulhada a Venezuela. Na época, dei como título ao comentário “Haja paciência…”, na tentativa de passar ao leitor o sentimento – que, aliás, é geral – de que a queda da tirania de Nicolás Maduro é uma questão de tempo, em nada breve, porém. Ontem o presidente Donald Trump impôs novas sanções ao país, desta vez proibindo futuras operações de compra de bônus da petroleira PDVSA e do governo bolivariano.

Ainda não se sabe o tamanho do impacto que o embargo causará às finanças estatais, mas de antemão é possível prever que não será de pequena monta, uma vez que o país convive há tempos com uma inflação brutal. Quem poderá garantir daqui pra frente a liquidez dos títulos bolivarianos? Já se espera que Maduro dará o calote nos credores, inclusive em fundos norte-americanos que compram bônus venezuelanos.

Ocorreu-me que a decisão tomada pelo presidente Trump tenha como objetivo fustigar os investidores locais com o intuito de trazê-los para o lado do governo caso a única saída para forçar a negociação com os militares venezuelanos que hoje apoiam Maduro seja a interrupção da compra de petróleo da PDVSA, seguramente uma medida impopular internamente (os americanos compram cerca de 40% da produção de óleo da estatal venezuelana). Este, sim, seria o tiro de misericórdia no já moribundo governo bolivariano.

Enquanto isso, China e Rússia,  observam; chegará a hora em que terão de sair do muro e negociar.

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