Fórmula mágica

Contam os jornais que Lula prepara uma nova versão da Carta ao Povo Brasileiro, documento com o qual se comprometeu junto ao mercado financeiro a manter a disciplina fiscal (conseguida com o sacrifício de milhões de brasileiros) para estancar o temor generalizado que o PT provocava nos investidores (internos e externos) e foi essencial para o partido finalmente chegar à presidência da República em 2002.

Treze anos depois, o Partido dos Trabalhadores prepara-se para ressuscitar em 2018 não só a carta – desta vez dirigida à hoje distante classe média que foi às ruas em 2016 pedir, e conseguir, o impeachment de Dilma Rousseff -, como também a mesma chapa capital-trabalho vitoriosa de 2002, só que agora substituindo o ex-presidente José Alencar, que morreu em 2011, por seu “filho”, o empresário Josué Gomes da Silva, que até aqui diz ser candidato a senador por Minas Gerais.

Aos olhos petistas parece tudo muito fácil, mas não é bem assim.

Lula está bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto para a presidência que vêm sendo divulgadas pelos institutos de pesquisa, mas, convenhamos, muita água vai passar debaixo da ponte das eleições até que o eleitor crave seu voto no dia 7 de outubro (1º turno) do ano que vem. Como a Justiça condenar Lula pela segunda vez (ele já foi condenador a 9,5 anos de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro) e ele não ser candidato a presidente, barrado que seria pela lei da ficha limpa.

Enquanto isso, a equipe de advogados prossegue com o projeto de fazer do ex-presidente vítima de perseguição política, atormentado por aqueles que tentam impedir que ele volte à presidência para levar os pobres de volta ao paraíso perdido do consumo (projeto de oferecer saúde de qualidade, educação para crianças e jovens, transporte inclusivo, segurança para as famílias, saneamento das cidades, nem pensar). Mas crédito para encher os olhos do povo, com certeza, não vai faltar. Nem o voto no partido.

O problema é que, acreditam eles, para reconquistar o eleitor perdido, terão de demonizar Dilma, jogá-la às feras. Como vão fazer depois para acomodar as contas públicas arrombadas pela roubalheira e delírios de grandeza do barão do ABC? Como chamar depois Dilma e o Arno Augustin para “salvar” as contas públicas por meio da contabilidade criativa?

E o rombo, quem vai pagar? Ah, diriam os petistas, o povo paga… depois a gente faz uma nova carta, chama o “neto” do Zé Alencar…

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